Hoje é o dia dos professores. Uma data lembrada a cada ano por alunos, pais de alunos e colegas, com mensagens, presentes e abraços. Neste ano, porém, as coisas não aconteceram com antes: sem abraços, presentes entregues na residência e felicitações nas redes sociais, tudo por causa da Pandemia da Covid-19. Para evitarmos a contaminação exacerbada do vírus, estamos reclusos em casa desde o mês de março; não obstante, continuamos fazendo nosso trabalho com garra e determinação, como nunca fizemos, tudo para que nossos alunos não ficassem sem aulas e perdessem o ano letivo.
Para enfrentarmos essa empreitada, tivemos que nos
reinventar. À nossa frente, colocou-se a tecnologia, como a esfinge de Tebas,
com seu enigma, e o ultimato: “decifra-me ou te devoro”. Alguns de nós dispúnhamos de recursos
tecnológicos modernos, outros nem tanto e outros tantos, de apenas um
computador em casa para dar aulas, compartilhando-o com os filhos que tinham
aulas online. Isso sem contar nosso parco conhecimento tecnológico. Primeiro
foram as videoaulas, gravadas com celulares, câmeras, quadros improvisados,
tripés e muitos outros recursos que a criatividade possibilitou. Depois vieram
as lives. Aulas conectadas com os alunos. Tivemos de aprender a usar
plataformas como o Google Meet, o Zoom, o Microsoft Teams e outras. Então
aquela máxima de que o professor não só ensina, mas também aprende, foi provada
na prática. Em um tempo recorde, pusemos em prática nossas aulas online.
Toda essa reviravolta na Educação suscitou alguns questionamentos:
será que os alunos estão aprendendo realmente? Os ardorosos defensores do
retorno às aulas presenciais dizem que não, muitos deles movidos por questões
econômicas. Mas sabemos que o chão da sala de aula não é lugar exclusivo para a
aquisição do conhecimento. Os professores podem ensinar em uma excursão, na biblioteca,
no shopping ou no pátio da escola, como fazia Aristóteles, caminhando com seus
Peripatéticos sob os portais do Liceu ou sob as árvores. Por conseguinte, fica
a pergunta: por que o aluno não pode também aprender à distância? Acredito que
para isso, deva haver um planejamento, a longo prazo, implantado paulatinamente,
desde a tenra idade. Mas essa discussão cabe aos pedagogos e estudiosos da
Educação.
O ano de 2020 exigiu que avaliássemos nossa postura diante
de questões, antes insignificantes, mas que se nos mostraram primordiais para a
preservação de nossa vida e a de nossos entes queridos. Ao mesmo tempo, serviu
como um alerta para aqueles que não se preocupam em aprender cada vez mais e se
qualificar em sua profissão. Estamos vivendo tempos de desemprego e de mudanças
profundas, principalmente, em nossa área de atuação. Portanto, é mister que
estejamos sempre estudando e aprendendo, não pensando apenas em valorização
profissional que, historicamente, nunca tivemos, mas para nosso crescimento
pessoal, uma vez que conhecimento não ocupa espaço.
Para a sociedade e para os governos, essa pandemia veio
mostrar a importância dos professores, que mesmo sendo mal pagos, trabalhando
sem equipamentos ou recursos didáticos, estrutura deficitária nas salas de
aula, isso sem falar na indisciplina e falta de respeito por parte dos alunos e
a decepcionante conivência de pais e, muitas vezes, de seus superiores. Não
bastasse tudo isso, ainda temos que ouvir de pessoas em altos escalões do
governo que os professores não querem trabalhar, ou que têm duas férias por
ano, quando não nos acusam de doutrinadores e esquerdopatas. Todavia, nossa
missão de ensinar nos faz persistir e acordar todos os dias dispostos a mudar a
vida das pessoas, com o conhecimento que temos para transmitir, com uma palavra
amiga a um aluno com problemas, com conselhos sobre que carreira seguir, enfim,
fazermos a diferença na vida de nossos alunos. Isso não tem preço.
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